Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

Blogosfera - Motivações Básicas V

[ 0017 ]

referências aos autores em Blogosfera - Motivações Básicas IV

Acerca de BLOGOSFERA, artigo de Catarina Santos e José Manuel Fonseca

Muito para além do plano tecnológico, uma fracção de cidadãos portugueses [aparentemente o segundo país per capita neste ambiente] publica diariamente. O QUÊ? Bom, inúmeras, inclassificáveis, por vezes inqualificáveis frases, parágrafos, testamentos. SOBRE O QUÊ? Quase tudo o que algum dia suscitou sinapses aos seres humanos. É UMA FEIRA.

Assim se inicia o dossier especial da revista, a "bold" e com a conclusão básica, simples, do que se trata a blogosfera: é uma feira. Feira de quê? Quererão dizer, no parágrafo seguinte, que para além de toda a liberdade de expressão, para além de toda a "função terapêutica", trata-se, afinal, de uma feira de vaidades?

"A blogosfera substituiu o speakers corner de Hyde Park, a porta e as paredes das casas de banho, aquele monte no qual, e a coberto do breu da noite, nas aldeias, se berrava em plenos pulmões os segredos de vícios privados que eram do conhecimento de todos.

Nesse sentido é um contexto verdadeiramente terapêutico com a vantagem de não provocar intoxicação química, nem excessivos gastos em psiquiatras e psicólogos.

É o maior espelho de Narciso conhecido."

Existe algo de redutor nesta apreciação embora não seja uma forma de ver a actividade tão descabida como isso. Conhecemos milhares de casos de blogs cuja inspiração é a da simples notoriedade, a elevação da auto-estima ou ainda, simples blogs de maledicência. Conhecemos ainda mais perigosos que isso, os blogs que devassam a vida alheia ou que a inventam... e não são tão raros assim. No entanto, não considero que este tipo de blogs seja importante, quer sob o ponto de vista de conteúdos, quer sob o ponto de vista de leitores habituais. Pelo que tenho visto estes são blogs sem audiência e cedo perecem pois o tipo de autores desses espaços não costumam aguentar a falta de interactividade.

O que nos leva à segunda parte da questão. Avançando um pouco no artigo os autores focam um tema de grande sensibilidade, o da solidão e da procura de companhia neste mundo virtual.

"É também um espaço de mitigação de vários tipos de solidão. Solidão produzida no seio e meio da grande massa de anónimos em que nos tornamos nas sociedades de afluência e de tempo apressado.

A blogosfera é um terreno onde se partilham interesses comuns, sejam eles quais forem e onde as pessoas encontram outras pessoas que também têm peixes vermelhos às riscas azuis, ou que defendem as mesmas soluções para os grandes males do universo e da humanidade em geral. Por incrível que pareça, fazem-se amigos neste meio. E inimigos [virtualmente] mortais, quando os respectivos peixes são de cores e formas diferentes."

Na realidade, se dermos uma volta carregando num botão de busca aleatoria de blogs, verificamos que uma grande parte destes são de cariz inteiramente pessoal ou com uma temática suficientemente atractiva para chamar a atenção a meia dúzia de pessoas.

Os temas aí tratados prendem-se, grande parte das vezes, com a percepção do mundo que rodeia o autor [percepção essa expressa de forma completamente subjectiva] ou com os problemas que o autor enfrenta. Uma vez mais, o "desabafo" a saír mas desta vez com nítidos sinais de estar a ser "ouvido". Existem várias formas de interpretação desses sinais mas deixaremos essa parte para mais tarde, num outro post desta série.

Originam-se, nestes casos, grupos de "apoiantes" que aparentemente são solidários e partilham o mesmo tipo de problema.

Diga-se que estes bloggers não são necessariamente do tipo "depressivo". Podem e fazem-no muitas vezes, tornar os seus blogs num excelente quadro de discussão das mais diversas matérias e existem salutares exemplos disso. Mas quando movidos pelos motivos atrás descritos depressa se nota a sua ansiedade pelo "estrelato".

...

" A blogosfera é também a informação e comunicação de 'conteúdos' ao alcance de todos. Existem dezenas de milhares de verdadeiros jornais. É um fenómeno de democratização e de atomização da opinião e isso parece desagradar aos 'fazedores' de opinião mais consagrados. A concorrência é quase perfeita e tal nunca agradou aos oligopolistas.

É difícil fazer cartéis na blogosfera."

Envio-vos uma vez mais ao Macroscópio para que por lá possam ver um exemplo simples e claro da relação entre jornais e blogs. O exemplo apresentado não me parece ser um dos mais "violentos" e Rui Paula de Matos não me parece sequer muito interessado em alimentar polémica - coisa mais fácil de se fazer do que parece.

Na realidade os jornais, em posse de informação privilegiada, vêm essa informação ser tratada a posteriori pelos bloggers que são, muitas das vezes, eles próprios jornalistas. Mas a real problemática do tratamento da informação não é a de este poder ser mais ou menos rigoroso. O problema que os jornais têm com os blogs é a capacidade que estes demonstram em "puxar o fio a meada" e desenvolver as opiniões. E há muitos blogs.

Felizmente para eles [os jornais], existe uma categoria de bloggers que está intimamente ligada à produção jornalística e que acorrem em seu auxílio de cada vez que estes se vêem "em apuros. O que confirma a crescente importância que este meio tem vindo a demonstrar na interpretação dos factos políticos e sociais e na catalisação de opiniões.

E, como dizem os autores do artigo, é difícil fazer cartéis na blogosfera. Esta é uma vasta rede, muito mais vasta que a da informação tradicional, e depende de milhares, milhões de vozes diferentes, de interpretações diferentes do mesmo assunto. O meio é livre, gratuito e descomprometido.

Essa é a principal arma que os bloggers podem utilizar, a da liberdade. A blogosfera não pode deixar que a informação tradicional continue a querer fazer crer que a única característica dos bloggers é a irresponsabilidade causada pela falta de compromisso com a verdade. Urge, nesse sentido, que os bloggers adoptem princípios que lhes permitam dar a sua opinião livre de uma forma sensata e perfeitamente fundamentada.

...

"E que os blogues são apenas a ponta do icebergue de um gigantesco ecossistema, cuja dinâmica ultrapassa as palavras escritas: há vida para além dos blogues."

Isso. São pessoas. Pensam. Fervilham de actividade e insaciável curiosidade. Ouçam-nos. Leiam-nos. Critiquem-nos. E deixem-nos ser livres.

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Sexta-feira, 25 de Agosto de 2006

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BOM FIM DE SEMANA

[ cjt ] às 14:16
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A Softer World

[ 0016 ]

... podia ser o título de um site de promoção a um fabricante de sofás ou a página pessoal de alguém numa cela almofadada. Mas não é. É, isso sim, o suficente para chamar a atenção e convidar à visita.

Entrando na página A SOFTER WORLD, o site de Emily Horne e Joey Corneau, somos de imediato confrontados com uma constatação: aquilo não é um blog. É outra coisa qualquer mas não um blog no sentido tradicional do termo. Está lá tudo: os posts, os perfis, os links, a publicidade aos livros entretanto editados mas... UMA FOTONOVELA?

É o que se pode dizer desta página onde os posts são, nada mais, nada menos que sequências fotográficas legendadas de extremamente boa qualidade e gosto. A visitar e a guardar nos favoritos.

Ah! e aceitam subscrições por e-mail...

Half naked, their wrinkled skin oiled and shining, Alan Turing and Albert Einstein prove more theories about collision than you should probably tell your grandmother. If she asks, smile enthusiastically and say that it was swell, and that Turing won. Turing will always win.

emily designs, takes pictures, smiles at all the right times.
joey writes, uploads, misses his best friends from when he was little.

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[ cjt ] às 14:15
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Blogosfera - Motivações Básicas IV

[ 0015 ]

Não fosse o post de Jorge Remondes e eu não teria ido às bancas procurar a edição nº 6 da Psicologia Actual, revista da qual só tinha, até hoje, adquirido o primeiro número que, à altura, se revelou uma desilusão.

Mas este número vem com um dossier especial de título "Blogosfera" que apresenta na capa os temas aí dissertados por bloggers da nossa praça:

          • O porquê dos blogues
          • Crítica à Blogosfera
          • Anatomia de um Blogger
          • A Arte de blogar
          • Babyblogs
          • Engate e Amor
          • Criar um Blogue
          • Blogodependência

Os artigos revelaram um sentido de humor especialmente caro aos que levam esta coisa da blogosfera a sério: nada como falar de assuntos actuais com a pitada cáustica que lhes é própria e que é própria, de resto, a todos os que, como nós, têm a oportunidade de partilhar um espaço livre e de acesso facilitado.

O dossier inclui escritos de Filipe Nunes Vicente do Mar Salgado, Gabriel Silva do Cidadão Livre e co-fundador do Blasfémias, Jorge Bacelar do Blog dos Marretas, "O Pornógrapho" d'O Pornógrapho, Sofia Vieira dos Controversa Maresia, Passeai Flores e Sociedade Anónima, Catarina Campos do 100nada, O meu Filho e Eu, e também fundadora do Sociedade Anónima e José Manuel Fonseca do Anarca Constipado, em que cada um deles contribui com a sua visão particular [ e não raras vezes peculiar ] para esta tentativa de dissipação do mistério que reside na "alma blogger".

Vale a pena ler os artigos na íntegra mas, ainda assim, o [ anti-blog ], imbuído do salutar espírito de serviço público que o caracteriza, irá apresentar ao longo da semana de férias que aí vem algumas transcrições parciais destes artigos bem como post-its de considerações.

...

Antevendo os sintomas de privação de alguns desesperados leitores por alturas de férias aqui do escriba, o [ anti-blog ] recomenda vivamente a visita ao fabuloso Bloggers Anonymous onde poderão iniciar a caminhada de 12 passos que vos há-de conduzir à libertação destes arrasadores vícios, os do exercício de opinião, leitura compulsiva e hipergrafia [ a fazer fé no que se passa comigo, claro... ]

The First Step is Admitting You Have A Problem

Congratulations!

You've made it this far.  By coming to terms with your condition—your chances of recovery have increased significantly.  Bloggers Anonymous will help see you through this difficult time.  Just remember—you are not alone.

Tell us a little about yourself here and let the recovery process begin!

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[ cjt ] às 14:14
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[ 0014 ]

O  escriba do [ anti-blog ] vai gozar uma semaninha de férias. Entretanto, o blog continuará a funcionar graças à excelente ferramenta de pré-datagem dos posts que me permitirá preparar uns tantos para serem publicados ao longo da próxima semana.

Logicamente os comentários ficarão, durante esse tempo, sujeitos a moderação, não sendo publicados até que eu volte [altura em que hei-de reparar, pateticamente, que escusava de me dar a esse trabalho...].

Entretanto, uma novidade: a abertura de um grupo de discussão no GoogleGroups, o [ blog ], que entrará em funcionamento mal eu retorne de férias. Seria óptimo já ter alguns inscritos quando a coisa arrancasse...

No entanto, se é mais do "tipo leitor", pode subscrever a "newsletter" do grupo no formulário logo ao fundo da página.

Mui bien,

Hasta siempre e boas férias para mim!

 

[ post-it ]

[ 0013 ]
- O post infra suscita-me um conjunto de questões que talvez valha apenas explorar. Nem todos os jornais estão eficientemente equipados on line para disponibilizarem toda a informação possível aos ciber-leitores, podendo-se assim cruzar dados, datas e dissolver erros ou equívocos. Uns jornais não têm esse arsenal disponível na rede porque não querem, outros porque sai caro e não têm recursos para fazer esses investimentos, outros ainda porque têm dinheiro mas não têm os skills de gestão adequados para pensar largo e ficam agarrados ao chão lembrando as tipografias ao tempo em que o pcp divulgava panfletos clandestinamente de forma a que os seus agentes não fossem apanhados pela Pide do velho e anquilosado Salazar - de que hoje, infelizmente, a sociedade portuguesa ainda revela sinais. Mesmo à esquerda, como denota o epifenómeno lamentável da autarquia de Setúbal...
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Mas as palavras que Inês Serras Lopes nos faz têm alguma pertinência. Vejamos: nem todos os jornalistas são malfeitores ou estão imbuídos de má fé, e a blogosfera é o que é - um manta de retalhos fortemente assimétrica e com uma falta de coerência editorial que entristece. Ainda há muitos cortinados e autobiografia e clusters interpessoais sem nenhum interesse público. Para esses bloggers defendo que deveriam pagar taxa - fixada pelas alarvidades fiscais de T. dos Santos - para aceder aos editores, já que reduzido é o interesse das suas intervenções. Mas isto é uma mera opinião pessoal. E se o ministros das Finanças sabe disto temo bem que ele, à semelhança do que fez com as comparticipações dos exames clínicos, se levante às 4:42 da madrugada para legislar à pressa a fim de fazer aplicar mais essa legislação tributeira para engrossar o OGE.
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De qualquer modo, em inúmeros casos os jornalistas fazem o juízo ou têm a expectativa (legítima) de que o Rizoma ou a Rede se comporta tal qual os media tradicionais, i.é, filtrar a informação antes de a publicar, ao passo que a blogosfera, por sistema, publica primeiro e depois é que filtra.
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Confesso que esta foi a questão que mais me interpelou na sequência da chamada de atenção de Inês Serras Lopes ao Macroscópio. Contudo, desejaria aqui transmitir o seguinte: por vezes jornalistas e bloggers, alguns jornalistas, alguns bloggers - entendamo-nos!!! - pretendem o mesmo: a verdade - se bem que tenham métodos, contactos e procedimentos diferenciados entre si, o que faz com que floresçam confusões, mal-entendidos ou até conflitos abertos que são sempre evitáveis - desde que se mantenham abertas as linhas de comunicação entre ambas as partes. Mais do que não seja para aprenderem mutuamente. Quando se tem esta humildade metade do caminho é percorrido a contento de todos, especialmente do público leitor (o clássico e o ciber-leitor) - que talvez reconheça nessa ponte estratégica entre ambos os media também um sinal de civilismo entre os velhos e novos actores - que tecem os fios dos media contemporâneos.
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Qual é o objectivo desta nova relação, afinal? Quanto a nós é o de criar pequenos mapas cognitivos entre diversos agentes que concorrem no processo de "fabricação" da informação e da análise a fim de que eles desempenhem um papel mais activo na função geral da comunicação com o exterior, independentemente de se tratar se o blog A ou o jornal B são ou não líderes de opinião na sociedade virtual e na sociedade de carne e osso.
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Desde que se mantenham os princípios da busca da verdade dos factos e da verdade analítica e se observem os standards mínimos de ética e de qualidade na comunicação estão, cremos, assegurados os níveis de confiança e de reputação para se tratar devidamente a informação e a comunicar a quem a quiser ler.
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Neste caso concreto, há um jornal semanário que entende - pela voz da sua própria directora - solicitar correcção a uma informação menos precisa veiculada por um blog, e é aí, como aqui procuramos demonstrar, que duas informações diversas sobre o mesmo assunto são associadas sob várias formas, as quais podem tornar-se noutras informações ainda mais úteis à produção de um novo saber ou desenvolver uma nova consciência (mais crítica) nos destinatários a fim de que o sistema de referências de partida (d' O Independente e do Macroscópio) possam ser coordenados já não a partir deles, mas a partir de outros pólos de informação ou de produção de ideias que produzam, por sua vez, outros resultados.
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Até porque sabemos, por alguma experiência científica e académica, que essa produção de ideias e de informações decorre umas vezes duma forma mais ou menos espontânea, outras de forma determinada e sistemática. Sendo notório que alguns blogues, não tantos quanto seria desejável, já se afirmam como pólos produtores de ideias, de ligações afirmando e cruzando diversos saberes entre muitas outras interconexões que têm lugar na Net, e operam hoje um pouco como o sistema nervoso do ser humano. Partindo aqui do pressuposto que o cérebro do ser humano não está envelhecido, danificado ou disfuncionado...
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Por último, desejaríamos deixar mais uma nota, até porque ela nos é cara e concorre na produção intelectual em inúmeros dos nossos posts. Ser bloger é apenas um conceito oco, tal como o é a circunstância de me chamar Rui Paula de Matos. São nomes que, de per se, nada exprimem. A prova disso é que há blogs cujos nomes são incomensuravelmente mais conhecidos do que o nome verdadeiro da pessoa que realmente garante a manutenção daquele espaço. Recordo um dos melhores blogs da Net: o Jumento. Quem o fará? O que ganhará ele com isso? Ao invés, temos o Abrupto de Pacheco Pereira que é um blog reconhecidamente fraco e que vive, em larga medida, do efeito de celebridade e de parasitismo do seu autor, dado que o mesmo tem projecção mediática e tem, goste-se ou não dele, o seu valor intrínseco. Contudo, o paradigma invertido de P.Pereira afirma-se de forma contra-natura, já que se trata dum blog que viola ou está nos antípodas da filosofia que subjaz à Rede: linkar. Eu próprio já tenho aprendido algumas coisas com ele, a que somaram muitas outras barbaridades.
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Mas o ponto que quero enfatisar é que enquanto intelectual, investigador, curioso pelas letras a conclusão a que chego é que esta ferramenta madura da net é apenas isso: uma ferramenta, um veículo, o mais difícil reside na elaboração das ideias, na sua exposição, na apreensão dos factos complexos que tecem este nosso mundinho contemporâneo, apesar de parecer que vivemos na Idade Média (a ajuizar pelos comportamentos dos homens, especialmente em cenários de guerra). Todavia, cremos que nada há de mais importante do que as ideias, já que delas podem nascer grandes conceitos, projectos que mudam as nossas vidas, alterar o mundo - e não perpetuar uma certa maneira de sermos chatos, previsíveis, implicativos, conflituosos, enfim, pequenas máquinas rotinadas, robotizadas que reagem aos estímulos externos sempre de forma predefinida e previsível. Nem as mulheres gostam disso nos homens, apesar de alguns homens gostarem de manter essa previsibilidade junto do meio feminino, mas isso são outras guerras...
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Assim, confesso, o mundo - e as pessoas dentro dele - deixam de ter toda a sua graça e cada pessoa também deixa de ser/ter um filtro do mundo perigoso que a rodeia. Ora, o nosso objectivo enquanto (estou) "blogger" - é empenhar-me nessa busca da Verdade e na construção de um mundo melhor e mais justo e livre entre os homens. Como? Potenciando as ligações entre os media tradicionais e a blogosfera de molde a que o interesse comum de ambos convirga mais do que divirja. Carolices...
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E se ssim fôr já estaremos, porventura, em condições de explicar à comunidade porque razão valerá a pena investir nisto, ainda que não se receba um centavo, perdão, 1cêntimo. Razões essas que podem remeter-nos para os tais valores éticos que supra-referimos (justiça, liberdade, bem comum, segurança) - mesmo que sejam hoje asseguradas à sombram duma hiper-velocidade estonteante (em virtude do poder exponencial das TIC), de relações interpessoais e institucionais velozes, de novos skills e expertises e também de novos incentivos socioprofissionais e materiais.
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Pois nem só de ideias e de filosofia vive o homem...
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Dedicamos este post a todos aqueles que "não gostam de plágios, de jornalistas maus, de maus jornalistas e de não-jornalistas maus. Nem de mentiras". Diria, a todos aqueles que amam a Liberdade e a Verdade - que buscam para a conquistar. Às vezes distraem-se e conseguem...
[ Rui Paula de Matos @ Macroscópio ]
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Quinta-feira, 24 de Agosto de 2006

Blogosfera - Motivações Básicas III

[ 0012 ]

Quase sempre íntima da Informação Alternativa é a Opinião.

INFORMAÇÃO/OPINIÃO

Os bloggers exercem com facilidade o seu direito à opinião e, não raras vezes, esta aparece disfarçada de informação. Quando assim é, torna-se numa falácia e influi a retina dos olhos menos precavidos. Porque nisto da blogosfera, como na vida, é preciso olhar com olhos de ver.

Uma vez mais vou referir que este tipo de blogs, recorrendo à informação distribuída, nem sempre divulgam a fonte e optam assim por "escrever artigos originais" e opiniões falsamente fundadas. Não considero, porém, que uma vez cumpridos estes requisitos, se possa exigir o mesmo tipo de responsabilidade que aos blogs considerados de informação.

Como exemplo das múltiplas escolhas de estilo que podem ser tomadas ao escrever um blog de opinião, chamo aqui um dos dois únicos blogs melhores do que este, o multifacetado e intelectual ABRUPTO

BLOGOSFERA CONTRA PROMESSOSFERA: O BLOGUITICA continua a fazer a pergunta certa no tempo certo : "O Projecto MIT não está esquecido, pois não?" Se não fosse o infantilismo competitivo de muita imprensa escrita, que não quer parecer ir atrás dos blogues, já a mesma pergunta teria sido feita aos responsáveis pelas promessas governamentais numa vontade de esclarecer e informar que é suposto ser a essência do seu papel em democracia, venha a pergunta de onde vier. Se o BLOGUITICA deixasse de insistir durante dois ou três dias, e voltasse o rápido esquecimento em que vivemos, já os jornalistas se sentiriam à vontade para fazer a pergunta sem parecer "ir atrás" dos blogues. O mesmo se passou no caso da OTA, não fosse um órgão da imprensa digital sem preconceitos ter abordado Mário Lino com a pergunta que os jornais não queriam fazer. Depois foi o que se viu. A questão central aqui é que um esclarecimento sobre o que se passa com o Projecto MIT é mais que devido, até porque já passou o prazo para se saber alguma coisa. Está na altura de acabar com pruridos territoriais e perceber que hoje há, queira-se ou não, um contínuo comunicacional com os blogues e uma pergunta certa e justa na blogosfera é também uma pergunta certa e justa na atmosfera e não se pode passar ao lado.

Este é o estilo de edição mais usual nos blogs de opinião. Deixa-se a opinião escarrapachada no monitor com um simples link para o que pode ou não ser o esclarecimento cabal da opinião deixada. Caberá ao leitor a decisão de querer conferir in loco a origem da opinião deixada. Se não me engano, quem está a ler neste momento este post não foi ao Abrupto nem ao Bloguítica.

Sem querer duvidar das boas intenções do blogger que opta por este estilo, não me parece correcto este tipo de post. Se por um lado ele obriga a que o leitor vá ao local de origem [é essa, supostamente a intenção de tal tipo de post ], por outro lado quase de certeza que tal não irá acontecer. Que o digam os proprietários dos originais mediante a análise dos "referrers" a que, provavelmente, têm acesso. Trata-se, para mim, de uma talvez não intencional hipocrisia esta coisa de querer manter salvaguardadas as fontes e o acesso directo a estas.

Bem-vindo de férias ó Almocreve das Petas :

"Depois de afagos de veraneio pendurámos a lembrança, em local decente. Nas muitas noites-ligados-a-dias sem novelas da paróquia, sem ambição de coisa alguma e em salutar "metafísica do ócio", a iluminação teria de ser total. E, na verdade, foi a nossa abastança virtuosa. A "estrita" observância a paixões deliciosas e sentimentos d'ócio peculiares, fez prolongar a visitação extraordinária, assim a modos "como gatos espapaçados ao sol" [M. Bandeira]. As instruções, os preceitos e as exortações do vate Sócrates & sua imprensa amestrada, não nos importunaram. Fomos piedosamente poupados à erudição doméstica. E, claro está, podemos dizer, humildemente ... que "cumprimos"!"

Aqui José Pacheco Pereira opta pelo estilo "Olhem lá, leiam isto porque eu achei interessante, por isso é mesmo interessante", ou seja, basta a publicação do post de outrém, com a devida referência e... mais nada. Eu também faço isso. Muitas vezes. O que não quer dizer que esteja correcto.

A crítica de Eduardo Cintra Torres no Público ao tratamento noticioso dos incêndios na RTP assenta em dois “factos” (1) ;

- um, a existência de ordens, ou instruções oriundas do Gabinete do Primeiro Ministro à direcção editorial da RTP quanto ao tratamento dos fogos

(« as informações de que disponho indicam que o gabinete do primeiro-ministro deu instruções directas à RTP para se fazer censura à cobertura dos incêndios: são ordens directas do gabinete de Sócrates».)

- dois, a minimização dos incêndios nos telejornais, em particular num dia em que graves incêndios ocorriam a Norte

“E o Telejornal (RTP)? Não fez nenhum directo. Remeteu os incêndios para a 18ª notícia de 28, já depois do desporto. As três únicas notícias sobre incêndios activos foram tão breves que totalizaram menos tempo (1m50) do que a convalescença de Fidel Castro (2m16) ou a vitória dum João Cabreira na etapa do dia da Volta (2m18). As outras três notícias relacionadas com fogos eram todas positivas: um inventor dum autotanque; uma visita de bombeiros alemães a Vila Real; a entrega de 16 jipes pelo Instituto de Conservação da Natureza aos parques naturais (mas antes, sobre o incêndio no Parque Nacional da Peneda-Gerês, o Telejornal falou duas vezes em Arcos de Valdevez e só no meio da notícia referiu uma vez o Parque)”.


Quanto ao primeiro, Eduardo Cintra Torres terá certamente que ir mais longe no seu esclarecimento, visto que parte de uma situação ambígua entre ser jornalista e dever preservar as suas fontes e emitir um comentário crítico que em principio não é uma notícia. Se tal “facto” (as instruções do Gabinete) foi resultado de uma actividade jornalística normal ele deveria ter sido pela sua relevância incluído no noticiário político do Público e só depois, ou em simultâneo, comentado na coluna de crítica. O estatuto de colunas de crítica como a que mantém no Público é ambíguo, como aliás acontece com muito do que hoje se escreve nos jornais em peças assinadas que misturam factos com opinião. Por se tratar de uma coluna identificada como tal, isso protege a opinião, mas “desprotege” os factos lá referidos em primeira mão. Isso explica o processo da RTP, que Cintra Torres certamente ponderou, como consequência possível do conteúdo da coluna.

Duas observações de passagem, mas relevantes para o “caso”. Uma é que Eduardo Cintra Torres produz uma das raras colunas de comentário sobre a televisão (na realidade é mais do que isso é crítica dos media, o que explica alguns furores) que pode ser chamada de “crítica”. A outra é que nas reacções de alguns jornalistas ao “caso” é claro que não perdoam a Cintra Torres ter colocado em causa não o Governo de Sócrates, mas a muito mais delicada questão das relações dos governos socialistas com a comunicação social. Quando os governos são do PSD e do CDS, as relações com a comunicação social são cuidadosamente escrutinadas e denunciadas, quando os governos são do PS a matéria torna-se sempre explosiva e a exigência de prova, mesmo em textos analíticos, vem sempre à cabeça. Um caso menor pode servir de comparação: a relativa complacência com que o livro de Manuel Maria Carrilho foi recebido, com acusações insubstanciadas muito mais graves do que as que fez Cintra Torres (caso fiquem elas também por provar, o que seria grave).

Sobra o segundo “facto” que aparentemente ninguém quer discutir, remete para uma análise da informação da RTP, repito aqui o que escrevi antes do artigo de Cintra Torres:

O governo tem beneficiado de uma cobertura jornalística que tem minimizado a importância dos incêndios este ano, e consequentemente, não confronta a realidade com o que foi prometido e anunciado. Parte desta situação vem dos compromissos que a comunicação social, em particular as televisões, assumiram quanto à cobertura dos fogos, corrigindo os excessos do ano passado. Mas, como quase sempre acontece, a correcção do excesso foi desequilibrada e neste ano, a não ser os atingidos pelos incêndios, não há percepção pública da gravidade do que se está a passar. Isso ajuda à desresponsabilização do governo e impede o debate sobre a eficácia das suas medidas e sobre o modo como está a reagir à situação, assumindo uma atitude de de muito mau agoiro para o futuro. (no Abrupto)


A governamentalização da informação da RTP (com este e com todos os governos) tem uma raiz de fundo impossível de corrigir sem a sua privatização: o seu carácter de estação “pública” torna-a dependente de orientações governamentais quanto à sua cadeia hierárquica de poder interno e financiamento . Como muitas vezes tenho dito, o mais importante é escolher as pessoas certas para o lugar certo, não dar “instruções “ pelo telefone. E depois há o dinheiro que vem do bolso dos contribuintes e cujas “orientações” de despesa (por exemplo na compra do circo do futebol) têm relevância política.

Acresce depois que a mais ambígua das coisas é aquilo a que se chama "serviço público", nunca claramente definido. Tanto serve para fazer a cobertura menos incómoda para o governo dos incêndios, como de muitas outras matérias, como para produzir simultaneamente alinhamentos no telejornal completamente tablóides (2) (com o argumento que uma televisão que ninguém vê não cumpre com o "serviço público"), como para tratar a agenda governamental com uma deferência particular dando a ministros, secretários de estado, inaugurações e anúncios de obras um lugar privilegiado nos telejonais (3). Etc., etc.

(1) Coloco factos entre aspas não por fazer um julgamento sobre a sua veracidade, mas para me referir a uma categoria jornalística determinada.

(2) Exemplos de ontem: o telejornal das 13 horas abre com uma longa peça sobre a queda de um ultraleve em Cascais, em contraste com o conteúdo noticioso das notícias da SIC (não vi a TVI).

(3) Um exemplo positivo de como um jornalista deve tratar uma inauguração e um anúncio governamental foi a de um jornalista da SIC que apertou Correia de Campos com perguntas sobre medidas que anunciavam uma cobertura da população por médicos de família. Acabou-se por saber que afinal essa cobertura era de um terço dos abrangidos e desse terço apenas um terço iria ser coberto até ao fim do ano, se tudo corresse bem. Passou-se de um anúncio genérico, para um terço de um terço. Mérito do jornalista que não tem o estilo dos telejornais da RTP.

Por fim, JPP escreve um artigo de opinião como eu acho que este deve ser. Sem recurso à transcrição total e seleccionando apenas o conteúdo que lhe origina comentário, referindo a fonte [com ou sem recurso a "link"] e, finalmente, opinando como lhe é próprio: ponto a ponto, preto no branco, pontos nos is, traços nos tês.

A opinião é um direito, senão um dever, e não é reservada a ninguém em particular. Todos devemos ver consagrado o direito ao exercício e publicação de uma opinião, seja acerca do que for. porém, tal não invalida a adopção de alguns códigos que têm mais a ver com o bom senso do que com a ética [essa obscura forma de ditar leis morais].

Resta-me agradecer a José Pacheco Pereira o facto de não notar sequer a presença deste blog e poder assim usurpar-lhe alguns dos textos que por lá [tão bem] publica.

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Quarta-feira, 23 de Agosto de 2006

Divulgação

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A Boavista e o Calhau

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Agora, isto lembra-me uma questão que me persegue há anos - porque será que me sinto sempre bem quando estou no edifício da Fundação Calouste Gulbenkian?? Ou nos seus jardins?? Eu acho que a resposta está algures entre o fim do império romano e a idade das trevas dos bárbaros... Fica a impressão de um hiato durante o qual andamos todos um bocado perdidos e até esquecemos, em nome de uma assinatura de ruptura em nome de uma ideologia qualquer sem nexo, as mais elementares soluções de bom senso...

Um abraço jovem
[ Paulo Espinha @ a Baixa do Porto ]

Realmente aos olhos ignorantes das coisas arquitectónicas como são os meus, há qualquer coisa que falta ali, em redor daquele maciço da Casa da Música. A falta de uma envolvente ao edifício faz com que este, assim despido, se mostre tão orgulhosamente como um calhau de dimensões monstruosas que caiu, ressaltou e, finalmente, ali ficou parado na inútil espera de uns serviços camarários que o recolham.

Não tenho dúvidas em relação à existência de ousadas complexidades arquitectónicas [que, de resto, os meus complexados olhos não conseguem divisar] e muito menos da qualidade dos materiais utilizados que já tive oportunidade de apreciar em espectáculos. Sim, as cadeiras, a insonorização, o ambiente criado são de excepcional qualidade... mas tudo se desmorona quando saímos do edifício.

E os problemas começam precisamente aí, à saída. A íngreme escadaria, sem corrimão, as luzes que ofuscam, entre outras coisas, têm sido sobejamente apontadas por quem acede ao espaço. Mas isso vinha no pacote e parece que não há muita vontade [ou possibilidade] de contornar. Depois desses precalços, vem a tristeza, a aridez.

Não sei, não conheço os planos para a área, irei verificar. Mas é uma pena que não se faça algo por aquela zona, mais uma zona fantasma da cada vez mais fantasmagórica cidade do Porto.

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[ cjt ] às 19:25
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Proposta do [ anti-blog ] - aditamento

[ 0009 ]

Em aditamento á proposta original cumpre-me informar das disposições seguintes:

  1. Este blog passa, a partir de agora, a ser um blog burguês. Como tal, inicia-se esta assumpção com a criação de uma nova categoria, a blogleft, sinónimo evidente de que o escriba deste espaço é homem de esquerda ma non troppo, que é como quem diz, chamem-me o que quiserem menos comunista, conservador ou liberal [social, neo-liberal, anarco-capitalista...]. Passa a sê-lo porque os artigos de opinião deverão, grande parte das vezes, ser considerados como tal, de esquerda e, assim, passarei também a ser o dono dos únicos blogs portugueses a ostentar essa etiqueta.
  2. Como tal, passará também a ser utilizada a categoria opinião que, como indica, expressará as opiniões do escriba acerca desta ou daquela matéria. Escusado será dizer que tais artigos brevemente serão considerados referência obrigatória de todos os que queiram sentir-se iluminados por uma visão nítida e especialmente inteligente do mundo que os rodeia e do outro não visível.
  3. O escriba utilizará este blog numa tentativa de ultrapassar o seu próprio prazo de validade. Conquistará a imortalidade mediante o recurso à pré-datação de artigos que, conforme permite o SAPO, serão apenas publicados na data escolhida. Para tal, o escriba irá inaugurar a categoria autópsia que, como o nome indica, tratar-se-á do estudo post-mortem daquilo que o cadáver foi em vida. A causa de morte encontrada será a usual, a vida. Este post será o primeiro e a sua data para a categoria autópsia será a de 23.08.2036 e não poderá ser visto antes dessa data. Esperemos que nessa data ainda existam blogs...
  4. O escriba, com este post, conta ter alcançado um número suficiente de "outbond links" para se fazer notar e aguarda o pagamento de uma avultada quantia em dinheiro por parte da wikipedia.

 

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Blogosfera - Que estatuto? I

[ 0008 ]

No Blogger, que continua a ser o aparelho mais representativo da blogosfera, encontra-se de tudo um pouco. O seu sistema de procura é inegavelmente eficaz e permite-nos, por cada assunto que queiramos estudar, encontrar milhentas oportunidades de leitura dos mais variados tipos de blog.

Hoje digitei por lá a palavra "blogosfera" e obtive alguns resultados curiosos. Ficam por cá alguns.

"No decurso do último ano escrevemos cerca de uma dezena de reflexões sobre a blogosfera e as suas relações com o jornalismo clássico que lhe pretende bloquear o caminho, marginalizando-a, mesmo tratando-se de actividades que poderiam funcionar mais eficientemente se operassem de forma complementar, e não, como fazem os media clássicos (por medo e arrogância pessoal e intelectual), recorram ao bloqueio, à omissão da fonte donde esbulham informação e análise - comportando-se com uns verdadeiros cowboys do far-west em pleno III milénio, o que é inaceitável e viola todas as regras deontológicas."

[ Rui Paula de Matos @ Macroscópio ]

 

 "Há uma semana, um post inofensivo no blogue Jornalismo e Comunicação deu azo a uma enxurrada de agressivos comentários anónimos. Julgo que o caso – um entre tantos outros – justifica uma reflexão sobre a proliferação do anonimato na blogosfera.
Em termos genéricos, não me faz espécie que um cibernauta comente sob a égide do anonimato. Está no seu direito, até porque os fornecedores do serviço como o Blogger disponibilizam aos promotores de diários digitais ferramentas suficientes para, se assim o entenderem, barrarem o acesso aos comentadores não identificados.

[...] Intrigam-me, porém, os motivos que levam alguém a abdicar da identidade para comentar. No exemplo acima citado, o anónimo mais agressivo argumentava pomposamente que “cada vez é mais evidente que não estamos num país isento de represálias (em particular vindas de grupos e coorporações [Sic]). Universitários e CS podem dar uma mistura explosiva.”
Sinceramente, duvido da bondade deste tipo de motivação."

[ Gonçalo Pereira @ Ecoesfera ]

 

"Eu gostava de dizer que não tenho escrito nada porque estou de férias num qualquer lugar espectacular onde há praia todo o dia e festa toda a noite, mas infelizmente, não.
Não tenho actualizado o blog porque estou outras vez a fazer horas extras com fartura, turnos de 12 horas. Pelas minhas contas nos últimos 15 dias trabalhei 128 horas, fora os momentos que la passo que não contam para a estatística. O que vale é que realmente gosto do que faço :-).
Espero voltar a ter tempo para ter uma vida pessoal dentro de momentos."

[ Francisco Ferreira @ Francisco Ferreira (na blogosfera) ]

 

"Na blogosfera como no sul do Líbano: Se estás fodido respira fundo e atira mais um rocket."

[ Luis @ Fenix ]

 

"Recentemente tenho percepcionado um evento recorrente na blogosfera , este prende-se com o facto de as pessoas já não terem ideias originais no seu frasquinho de maionese por cima dos ombros.
Quer dizer... todos sabemos que já não há ideias originais, já foi tudo feito antes... Ou será?
Será que assim é? Será que assim foi? Será que assim será?

[...] Existe uma forma de plágio bastante irritante, que consiste não em plagiar o original e retirar todas as referências ao original, mas plagiar o original e deixar todas as marcas identificativas. Cria-se assim um meio plagiar, quase um tributo (porque o plágio é a forma mais sincera de elogiar algo, já dizia a minha avózinha antes de ser comida pelo lobo), mas um PLÁGIO!
Existe ainda o plágio tímido, muito apreciado pelos bloggers do wordpress com o seu trackback (ou sistema identificativo de plagiadores como eu gosto de lhe chamar)."

[ "Parvo na Cadeira" @ O Factor F ]

Haveriam muitos outros mas irei ficar por estes, que sendo interessantes, servem de mero exemplo como muitos outros serviriam. Não são, por isso, escolhidos por algum atributo especial que não seja o de ilustrarem bem o que a seguir se fala.

Antes de passarmos ao assunto Blogs de Opinião no capítulo de Motivações Básicas, gostaria de ver reflectida aqui a mais completa definição da blogosfera. Podemos ver nos exemplos acima as mais diversas e divergentes concepções do que se trata, na realidade, este meio de divulgação. Não será errado tomar como afirmação certeira e bem esclarecedora a que Luís nos propõe:

Na Blogosfera como no Sul do Líbano: Se estás fodido, respira fundo e atira mais um rocket.

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Terça-feira, 22 de Agosto de 2006

A Senhora

[ 0007 ]

Para "desenjoar" e porque a vida não é feita apenas de bloguices [ou porque estes servem para mais que falar deles próprios], dá-se agora início a mais uma categoria, a de digestão rápida.

Começo por um livro comprado na FNAC a preço de saldo [que é ao preço a que compro tudo] e cuja edição de bolso pertence à ASA.

Trata-se do "A Senhora" de Catherine Clément, livro de leitura fácil e voraz a relatar-nos as venturas e desventuras de Beatriz de Luna, aliás, Gracia Nasi, aliás, Gracia Mendes, a responsável pela organização das rotas de fuga dos judeus forçados a saír de Portugal, Espanha e restantes países sob o jugo papal e inquisitorial.

"O nosso verdadeiro nome comum era Nasi, o que significa príncipe. Infelizmente, desde aquela época, já não éramos príncipes, mas sim proscritos."
Perseguida pela Inquisição, Beatriz de Luna, ou Gracia Nasi, nascida em Lisboa em 1510, é a mulher judia, jovem viúva de um banqueiro português (Francisco Mendes), que, herdeira de uma poderosa fortuna, vai pôr em marcha um dos mais impressionantes episódios da Europa seiscentista.
Enfrentando o ódio dos Habsburgos e dos Papas, que a perseguem até à Palestina, ela é a força que irá proteger os cristãos-novos espoliados da Península Ibérica, à cabeça de um império comercial que, tal como o dos Fugger ou o dos Médicis, vergava a cabeça a reis, embaixadores e aristocratas.
Expulsa sucessivamente de Lisboa, Antuérpia, Veneza e Ferrara (onde manda imprimir a primeira Bíblia traduzida para ladino — a célebre Bíblia de Ferrara), A Senhora personifica o êxodo singular dos Marranos, no contexto dos conflitos políticos, comerciais e religiosos da era humanista, num teatro onde se encontram as três grandes religiões do Livro, bem como o Oriente e o Ocidente.
Uma das obras mais vendidas em França durante 1992, A Senhora é um notável romance histórico onde, tal como escreveu o Magazine Littéraire, "o mundo mediterrânico ressuscita com a luz, os seus perfumes, o esplendor e a desgraça dos marranos".

[ Edições ASA ]

Vale bem a pena passear pelas cidades visitadas por Josef, sentir-lhes os cheiros e a algazarra característica ou descer á angústia da traição e da fuga permenente. Um bom livro - como digo, de fácil digestão - a levar estas férias por 5 Euros.

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[ post-it ]

[ 0006 ]

A ERA DOS ENGRAÇADINHOS.

Enquanto os baby boomers se agarram aos anos terminais do seu poder (veja-se o Público de hoje), os seus filhos da "geração rasca" deram origem a uma era dos engraçadinhos. Ser engraçadinho está muito bem representado nos blogues, e vai a par com os Morangos, a Floribela e a nova Gente, no modo actual de ser leve e fácil e borbulhante e popular.

[ José Pacheco Pereira in Abrupto]

O QUE É ESTÚPIDO É MAU

Concentremo-nos no usurpador: a criatura autora do blogue o que pretenderia? Enganar deliberadamente as pessoas. O problema julgo que ultrapassará muito as questões éticas evidentes de utilizar um nome que não lhe pertence. No último post diz que com o blogue pretendia que o MEC voltasse à blogosfera. Se isso é verdade, descobriu a maneira mais tortuosa e ignóbil de o fazer. É no que dá ser estúpido e ter iniciativa.

[ Carla Hilário de Almeida Quevedo in Bomba Inteligente]

 

REVOLUÇÃO TRANQUILA

Eu sempre achei que Agosto pode ser um mês muito produtivo. E este tem sido. Podem comprová-lo pela revolução tranquila que tem acontecido aqui ao lado na coluna da direita. É verdade que o cemitério de blogues na secção "partidos do passado" tem engordado substancialmente.

[ Jorge Ferreira in Tomar Partido]

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[ cjt ] às 15:26
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Demonstração 002

[ 0005 ]

Não é necessário ter um blog "de Informação" para se cumprir algumas regras que considero básicas da etiqueta, correcção e, sobretudo, bom senso.

Para publicar uma notícia e uma opinião sobre a notícia existem ferramentas muito boas e que até nos poupam algum trabalho [se não quisermos andar em cima da estética do blog], como o Bloglines, um agregador de feeds que permite o envio de e-mail dos artigos seleccionados para qualquer endereço, inclusivamente os do blog.

Assim, com a opinião acerca do artigo devidamente apartada e com todas as referências possíveis [mantendo alguma personalidade do blog de origem], é possível fazer algo de engraçado.

O exemplo não é o mais imparcial [o blog é meu] mas dá para ver qualquer coisa.

Acerca de situações a evitar existiriam também muitos exemplos mas decidi que este blog não os publicitará.

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[ cjt ] às 14:44
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Blogosfera - Motivações Básicas II

[ 0004 ]

"Ser jornalista é, antes de mais, pensar. Tentar perceber, encontrar pontes, pontos de ancoragem, entre o que surge como objecto e uma perspectiva própria. Filtrar em si aquilo que se noticia ou reporta, verter a voz no que faz".
Fernanda Câncio, Para que serve um jornal, DN, 21.7.2006

"A TV dá notícias pela rama, elegendo o sensacionalismo em detrimento da profundidade e da reflexão e apostando tudo na força das imagens? Eis os jornais a diminuir o tamanho dos textos, a segmentá-los em pedacinhos mais deglutíveis, a carregar-se de fotos e infografias como se esse mimetismo não fizesse mais que assumir e apressar a derrota. As pessoas estão cada vez mais ignorantes e lêem cada vez menos? Dêmos-lhes cada vez menos que pensar e menos que ler".
Idem, Ibid.

via "Jornalismo e Comunicação"

 

 

A Informação Alternativa

O blog informativo é, por excelência, o mais difícil de manter. A sua actualização constante, a sua periodicidade, tornam-no uma ocupação a tempo inteiro.

O seu objectivo principal parece ser o de fazer chegar a informação que não aparece noutros meios ou de desenvolver temas com mais profundidade, recolhendo matéria diversa. Este tipo de blog, no entanto, não consegue, na maioria das vezes, escapar ao cunho marcadamente pessoal do autor sendo, por vezes, apenas mais um blog de opinião.

Não raras vezes, e à semelhança dos restantes orgãos informativos, limita-se apenas a fazer copy-paste da notícia e a despachar uma ou outra opinião sobre o assunto.

A diferença está, uma vez mais, na assinatura e na responsabilidade que esta implica. Nada me impede de ter um blog supostamente informativo que divulgue notícias temperadas a meu gosto. Essas notícias, de uma forma ou de outra, irão parar a um motor de busca qualquer e, dada uma procura de artigos acerca de um determinado assunto, uma qualquer pessoa deparará com o meu escrito, por exemplo, no Google.

Está no meio, o que a fará diferente das outras em termos de fidelidade ao tema, de objectividade? Eu, [ cjt ], sou tão fidedigno como qualquer outro que assine com três iniciais? Eu, Carlos José Teixeira, serei tão autorizado a divulgar objectivamente a notícia e a tecer considerações acerca desta? Claro que sim.

A democratização do sistema informativo [se podemos considerar um sistema] é, neste contexto, um problema. Se eu opto por canalizar informação, devo claramente indicar a sua proveniência e se acho que devo tecer um comentário, devo fazê-lo esclarecendo que este não faz parte da notíca.

A maioria dos blogs de carácter informativo não cumprem estas regras. Limitam-se a divulgar uma qualquer notícia recorrendo à cópia e, mesmo referindo a sua origem [o que acontece em bastantes casos por intermédio de link e não como na "caixa acima"], não se coibem de dar as suas opiniões ainda no corpo do artigo, tornando este uma mera opinião mas de forma que, muitas das vezes, não se distingue muito bem o que é notícia e o que é opinião.

A motivação básica deste bloggers "jornalistas" é a de obterem feedback polémico que sustente as suas caixas de comentários, os seus e-mails e os pay-per-click. Não deve ser confundida com a dos blogs realmente informativos que, apesar de serem milhentos a expor a mesma notícia, não misturam alhos com bugalhos.

A destes últimos parece ser a de realmente oferecerem canais alternativos onde a notícia possa ser aprofundada, desenvolvida e discutida. A opinião cabe ao leitor e só a este.

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[ cjt ] às 08:14
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"Hummm... este blog é muito bom mas não é tão bom como o ABRUPTO" terá dito JPP, aqui citado pelo Senhor Anónimo, provável blogger e conhecido comentarista de blogs, cujas opiniões são geralmente muito bem fundamentadas.
"Ele não conseguiu tirar os olhos do blog e, nessa mesma noite ouviam-se os seus gritos desesperados: QUEM ME DERA A MIM TER UM BLOG ASSIM!!!"
Esta frase rapidamente passou a ser considerada uma classificação estampada em todos os blogs de bom gosto.

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Este blog ostenta orgulhosamente a classificação de:
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