Segunda-feira, 28 de Agosto de 2006

Blogosfera - Motivações Básicas V

[ 0017 ]

referências aos autores em Blogosfera - Motivações Básicas IV

Acerca de BLOGOSFERA, artigo de Catarina Santos e José Manuel Fonseca

Muito para além do plano tecnológico, uma fracção de cidadãos portugueses [aparentemente o segundo país per capita neste ambiente] publica diariamente. O QUÊ? Bom, inúmeras, inclassificáveis, por vezes inqualificáveis frases, parágrafos, testamentos. SOBRE O QUÊ? Quase tudo o que algum dia suscitou sinapses aos seres humanos. É UMA FEIRA.

Assim se inicia o dossier especial da revista, a "bold" e com a conclusão básica, simples, do que se trata a blogosfera: é uma feira. Feira de quê? Quererão dizer, no parágrafo seguinte, que para além de toda a liberdade de expressão, para além de toda a "função terapêutica", trata-se, afinal, de uma feira de vaidades?

"A blogosfera substituiu o speakers corner de Hyde Park, a porta e as paredes das casas de banho, aquele monte no qual, e a coberto do breu da noite, nas aldeias, se berrava em plenos pulmões os segredos de vícios privados que eram do conhecimento de todos.

Nesse sentido é um contexto verdadeiramente terapêutico com a vantagem de não provocar intoxicação química, nem excessivos gastos em psiquiatras e psicólogos.

É o maior espelho de Narciso conhecido."

Existe algo de redutor nesta apreciação embora não seja uma forma de ver a actividade tão descabida como isso. Conhecemos milhares de casos de blogs cuja inspiração é a da simples notoriedade, a elevação da auto-estima ou ainda, simples blogs de maledicência. Conhecemos ainda mais perigosos que isso, os blogs que devassam a vida alheia ou que a inventam... e não são tão raros assim. No entanto, não considero que este tipo de blogs seja importante, quer sob o ponto de vista de conteúdos, quer sob o ponto de vista de leitores habituais. Pelo que tenho visto estes são blogs sem audiência e cedo perecem pois o tipo de autores desses espaços não costumam aguentar a falta de interactividade.

O que nos leva à segunda parte da questão. Avançando um pouco no artigo os autores focam um tema de grande sensibilidade, o da solidão e da procura de companhia neste mundo virtual.

"É também um espaço de mitigação de vários tipos de solidão. Solidão produzida no seio e meio da grande massa de anónimos em que nos tornamos nas sociedades de afluência e de tempo apressado.

A blogosfera é um terreno onde se partilham interesses comuns, sejam eles quais forem e onde as pessoas encontram outras pessoas que também têm peixes vermelhos às riscas azuis, ou que defendem as mesmas soluções para os grandes males do universo e da humanidade em geral. Por incrível que pareça, fazem-se amigos neste meio. E inimigos [virtualmente] mortais, quando os respectivos peixes são de cores e formas diferentes."

Na realidade, se dermos uma volta carregando num botão de busca aleatoria de blogs, verificamos que uma grande parte destes são de cariz inteiramente pessoal ou com uma temática suficientemente atractiva para chamar a atenção a meia dúzia de pessoas.

Os temas aí tratados prendem-se, grande parte das vezes, com a percepção do mundo que rodeia o autor [percepção essa expressa de forma completamente subjectiva] ou com os problemas que o autor enfrenta. Uma vez mais, o "desabafo" a saír mas desta vez com nítidos sinais de estar a ser "ouvido". Existem várias formas de interpretação desses sinais mas deixaremos essa parte para mais tarde, num outro post desta série.

Originam-se, nestes casos, grupos de "apoiantes" que aparentemente são solidários e partilham o mesmo tipo de problema.

Diga-se que estes bloggers não são necessariamente do tipo "depressivo". Podem e fazem-no muitas vezes, tornar os seus blogs num excelente quadro de discussão das mais diversas matérias e existem salutares exemplos disso. Mas quando movidos pelos motivos atrás descritos depressa se nota a sua ansiedade pelo "estrelato".

...

" A blogosfera é também a informação e comunicação de 'conteúdos' ao alcance de todos. Existem dezenas de milhares de verdadeiros jornais. É um fenómeno de democratização e de atomização da opinião e isso parece desagradar aos 'fazedores' de opinião mais consagrados. A concorrência é quase perfeita e tal nunca agradou aos oligopolistas.

É difícil fazer cartéis na blogosfera."

Envio-vos uma vez mais ao Macroscópio para que por lá possam ver um exemplo simples e claro da relação entre jornais e blogs. O exemplo apresentado não me parece ser um dos mais "violentos" e Rui Paula de Matos não me parece sequer muito interessado em alimentar polémica - coisa mais fácil de se fazer do que parece.

Na realidade os jornais, em posse de informação privilegiada, vêm essa informação ser tratada a posteriori pelos bloggers que são, muitas das vezes, eles próprios jornalistas. Mas a real problemática do tratamento da informação não é a de este poder ser mais ou menos rigoroso. O problema que os jornais têm com os blogs é a capacidade que estes demonstram em "puxar o fio a meada" e desenvolver as opiniões. E há muitos blogs.

Felizmente para eles [os jornais], existe uma categoria de bloggers que está intimamente ligada à produção jornalística e que acorrem em seu auxílio de cada vez que estes se vêem "em apuros. O que confirma a crescente importância que este meio tem vindo a demonstrar na interpretação dos factos políticos e sociais e na catalisação de opiniões.

E, como dizem os autores do artigo, é difícil fazer cartéis na blogosfera. Esta é uma vasta rede, muito mais vasta que a da informação tradicional, e depende de milhares, milhões de vozes diferentes, de interpretações diferentes do mesmo assunto. O meio é livre, gratuito e descomprometido.

Essa é a principal arma que os bloggers podem utilizar, a da liberdade. A blogosfera não pode deixar que a informação tradicional continue a querer fazer crer que a única característica dos bloggers é a irresponsabilidade causada pela falta de compromisso com a verdade. Urge, nesse sentido, que os bloggers adoptem princípios que lhes permitam dar a sua opinião livre de uma forma sensata e perfeitamente fundamentada.

...

"E que os blogues são apenas a ponta do icebergue de um gigantesco ecossistema, cuja dinâmica ultrapassa as palavras escritas: há vida para além dos blogues."

Isso. São pessoas. Pensam. Fervilham de actividade e insaciável curiosidade. Ouçam-nos. Leiam-nos. Critiquem-nos. E deixem-nos ser livres.

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"Hummm... este blog é muito bom mas não é tão bom como o ABRUPTO" terá dito JPP, aqui citado pelo Senhor Anónimo, provável blogger e conhecido comentarista de blogs, cujas opiniões são geralmente muito bem fundamentadas.
"Ele não conseguiu tirar os olhos do blog e, nessa mesma noite ouviam-se os seus gritos desesperados: QUEM ME DERA A MIM TER UM BLOG ASSIM!!!"
Esta frase rapidamente passou a ser considerada uma classificação estampada em todos os blogs de bom gosto.

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